Água de reúso ganha espaço na indústria: Sanepar busca parceria para ampliar aproveitamento de efluentes tratados
Autor(a)
Vitória
A água de reúso vem ganhando espaço nas estratégias de segurança hídrica e eficiência operacional da indústria. Um exemplo recente é o projeto da Sanepar, que busca um parceiro estratégico para desenvolver uma oportunidade de negócio associada à implantação e operação de ativos de água de reúso e saneamento industrial.
O chamamento público prevê ampliar o aproveitamento de efluentes tratados e oferecer soluções de água de reúso para o setor produtivo. A proposta inclui o desenvolvimento conjunto de modelos técnicos, comerciais, regulatórios e econômico-financeiros para viabilizar a implantação de uma primeira etapa e futuras expansões.
A etapa de recebimento da documentação e das propostas ocorreu entre 15 de julho e 14 de agosto de 2026. Agora, o projeto está na fase de análise de habilitação e classificação dos participantes.
Por que a água de reúso importa para a indústria?
A indústria depende da água em diferentes etapas da operação, como processos produtivos, sistemas de resfriamento, geração de vapor, limpeza e outras aplicações.
Quando parte dessa demanda pode ser atendida por água de reúso, a empresa reduz sua dependência de fontes convencionais e cria novas possibilidades para uma gestão hídrica mais eficiente.
O conceito também muda a forma de enxergar os efluentes industriais. Em vez de considerar a água utilizada como um recurso que precisa apenas ser tratado e descartado, é possível avaliar quais correntes podem ser recuperadas e destinadas novamente ao processo.
Essa abordagem contribui para uma operação mais circular e pode aumentar a segurança hídrica em regiões sujeitas a períodos de escassez.
Do tratamento de efluentes ao reúso industrial
Transformar efluentes tratados em água de reúso exige mais do que simplesmente adicionar uma etapa ao sistema existente.
É necessário avaliar a qualidade do efluente, os contaminantes presentes, a aplicação pretendida e os requisitos de qualidade da água para cada processo industrial.
A partir dessa análise, podem ser combinadas diferentes tecnologias de tratamento, como processos físico-químicos, ultrafiltração, osmose reversa e outras etapas de polimento.
O objetivo é desenvolver uma água com qualidade compatível com o uso pretendido, mantendo segurança operacional e viabilidade técnica e econômica.
Reúso também é estratégia operacional
A discussão sobre água de reúso costuma estar associada à sustentabilidade, mas seus impactos vão além da pauta ambiental.
Uma gestão hídrica mais eficiente pode ajudar a indústria a:
- reduzir a dependência de fontes externas de água;
- diminuir o consumo de água de melhor qualidade em aplicações que não exigem essa característica;
- aumentar a segurança hídrica da operação;
- otimizar o tratamento de efluentes;
- identificar oportunidades de recuperação de recursos;
- reduzir riscos associados à disponibilidade hídrica.
Por isso, o reúso pode ser entendido como parte de uma estratégia mais ampla de eficiência e previsibilidade operacional.
Um movimento que merece atenção
A iniciativa da Sanepar mostra que a água de reúso está entrando cada vez mais no planejamento de infraestrutura e nas discussões sobre abastecimento industrial.
Esse movimento acontece em um cenário em que empresas precisam lidar simultaneamente com maior pressão sobre os recursos hídricos, exigências ambientais e busca por eficiência.
Para a indústria, a pergunta deixa de ser apenas “como tratar meu efluente?” e passa a incluir uma questão estratégica:
“Quanto da água que hoje sai do meu processo poderia voltar para ele?”
Responder a essa pergunta exige diagnóstico, tecnologia e conhecimento da operação. Mas pode abrir oportunidades importantes para reduzir desperdícios, aumentar a eficiência hídrica e tornar o negócio mais resiliente.
A água utilizada no processo não precisa necessariamente terminar sua jornada no descarte. Com o tratamento adequado, ela pode ganhar uma segunda vida dentro da própria operação.
Fonte: Sanepar – Chamamento Público nº 001/2026 – Água de Reúso e Saneamento Industrial.